quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Rubik's cube: algoritmos naturais

Isso não me sai da cabeça, por isso resolvi que essa primeira postagem seria sobre o que eu carinhosamente apelidei de algoritmos naturais.

Eu comprei um Rubik's em uma loja de brinquedos, ontem. Há tempos eu não tentava montar um e até então parecia coisa de outro mundo. Por um lado, eu estava bem excitado com a idéia de abusar da lógica e quebrar a cabeça com o que foi certa vez chamado de o "quebra-cabeças perfeito". Mas por outro, eu fiquei frustrado.

Olhando um pouco pra configuração do "cubo mágico", você claramente vê que ele não passa de uma configuração de algoritmos encadeados. Para mover a peça A da posição (xo,yo,zo) para a posição (x1,y1,z1) existe um algoritmo pontual que não muda a configuração das peças que você já montou. Aí, toda a lógica analítica que se precisa é a de descobrir se a peça X está na posição frontal-superior-direita.

Eu me questiono: será que a vida é um grande emaranhado de algoritmos? Tudo funciona como o Rubik's?

É engraçado pensar nisso enquanto se está desenvolvendo uma aplicação web. Análise de sistemas é exatamente isso: uma série de algoritmos já consagrados, para a maioria das aplicações. Uma frase que eu já ouvi, digamos, uma dezena de vezes enquanto analista de sistemas foi:

"Pra que reinventar a roda?"

Pois é. Aprendi na prática que isso é uma questão de bom-senso. As vezes, reinventar a roda é uma burrice, digamos, quando você tem um problema na mão direita e a solução pronta na mão esquerda. Mesmo aí aprendemos alguma coisa. Aprendemos uma das possíveis soluções para esse problema. Da próxima vez (e quando o tempo nos permitir) podemos pensar um pouco mais e utilizar o conhecimento adquirido para pensar em uma solução melhor, mais adequada.

E tudo o que envolve bom-senso é perigoso. Fiar-se que existe a roda pode nos tolher de uma visão mais ampla. Pode colocar o cabresto e não nos deixar avaliar outras opções. Guiar nossos pensamentos e atitudes para uma abordagem, quando podemos usar outra totalmente diferente.

Quando eu comecei a escrever sobre esse tema, justamente, eu pensava em enveredar para o lado tecnológico. Mas, pensando bem, podemos enveredar para qualquer lado. Sociologicamente também é uma verdade. Psicologicamente também. A identidade da pessoa é formada por um emaranhado de retalhos culturais e sociais. Pessoas influenciáveis são o exemplo vivo disso. (O que vocês acham?!)

Na minha opinião, se for possível em questão de tempo (principalmente tempo, pois tempo ainda é dinheiro), dê-se ao luxo de reinventar a roda toda a vez. Jogue fora o guia de resolução do Rubik's e frustre-se de tanto pensar em soluções para ele. Perca tempo pensando em soluções, por mais tentador que seja olhar a resposta nas últimas páginas. É um exercício de criatividade, de genialidade, por assim dizer. Quem sabe de reinventar a roda não surgem soluções geniais para o problema da fome no mundo? Ou pra uma nova doutrina política menos propensa a corrupção?

Pense nisso.

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